Estados, 2002
Centro Cultural Banco do Brasil,
São Paulo
Fotos: Nelson Kon

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A exposição Estados ocupava quase todo o espaço do CCBB de São Paulo, e era composta de três instalações e uma intervenção no cofre. No hall de entrada, refiz as bacias de vidro, só que desta vez eram em número de cem, e em dois tamanhos, de sessenta e oitenta centímetros. Mais resistências foram ligadas a um cabo elétrico bastante potente. Foi como se fizesse um vestiário esportivo, pois as resistências equivaliam a quinze chuveiros elétricos. O cabo do sistema de refrigeração do prédio, que estava localizado no alto do terceiro andar, foi utilizado, e tubos de cobre desciam, agarrando-se à estrutura do edifício como se sempre tivessem estado ali, trazendo os fios elétricos no seu interior até as resistências nas bacias para, de novo, aquecer a água e produzir o vapor.
No subsolo, onde está localizado o cofre do antigo banco, um trabalho novo e uma brincadeira.
O trabalho novo: um texto, espécie de poema escrito em relevo sobre caixas de metal. Um sistema de refrigeração movido por bombas fazia circular água e glicol por todo o circuito da sala, mantendo-os sempre abaixo de zero. Por meio do contato com o ar, a umidade do ambiente se condensava, produzindo gelo em todas as caixas e tubos. O texto falava do movimento de um rio, e aludia ao caráter circular da sala: o branco do rio passa / passado o líquido rio, volta / aguado de rio, dobra a volta / revolta a água do rio, volta / passada de vento que sopra / em fios de rio molha a água / em gotas largas de brilho prata / de água frio.
A brincadeira: enchi o cofre de pó.
Na pequena sala do terceiro andar refiz o trabalho anterior com pó de mármore. Desta vez já não era mais aquela espécie de praia branca, porque tudo era branco: as paredes, o chão, o pó, as peças. Só havia um banco de madeira na sala, bom para esperar que as pupilas, dilatadas pela brancura do lugar, se acomodassem.